Décimo nono dia: Um Passeio Encantado nos Alpes Suíços

Talvez o nome mais adequado a esse artigo fosse “O Passeio Encantado aos Alpes Suíços”. Não apenas porque foi o único passeio aos Alpes suíços que fiz em minha vida, mas também porque foi um passeio inesquecível…

Minha expectativa era alta. E sabe-se que quanto mais alta a expectativa, maior a chance de decepção. Entretanto, felizmente, fiquei maravilhada…

Desde 2008, quando o Edu me falou pela primeira vez de um passeio de trem por dentro das montanhas, minha imaginação foi buscar nas experiências da minha infância, na Montanha Encantada do Playcenter, uma referência acerca do que poderia ser esse passeio.

Naquela época o Playcenter era o melhor parque de diversões de São Paulo. Até os 12 anos de idade, eu só havia ido três vezes ao Playcenter. Uma vez com a excursão da escola, e duas com minha família. Eu ficava sonhando durante anos até ter outra oportunidade de fazer esse passeio. E a minha atração preferida era justamente a Montanha Encantada…

Ela tinha uma espécie de barquinha de fibra de vidro em forma de tronco de árvore com um banco único, longo, no meio, onde sentávamos com as pernas abertas. Nele cabia minha família inteira, inicialmente de quatro, e posteriormente cinco pessoas…

Toda a montanha era feita desse mesmo material, ora imitando rochas, ora imitando troncos de árvores. A barquinha subia por dentro da montanha, onde íamos ouvindo musiquinhas e vendo bonecos que dançavam e mexiam a boca para cantar… De vez em quando a barquinha parava de subir e seguia navegando por dentro da montanha. Às vezes ela dava uma saidinha de dentro da montanha, e podíamos ver todo o parque de lá de cima. Quando ela atingia o ponto mais alto da montanha, ela chegava à beira de um “precipício”, e escorregava de uma altura imensa dentro do corredor de água… Dava um tremendo frio na barriga… Era delicioso…

Lógico que eu sabia que, sendo um trem, ele não escorregaria pelo precipício dos Alpes suíços, mas imaginava as paredes de rocha e a vista da montanha no meio do caminho, a partir dos relatos do Edu.

Outra cena que sempre povoou minha imaginação infantil, era a da montanha coberta de neve. Neve nunca fez parte do meu universo. A barquinha do Playcenter, por exemplo, andava por dentro de uma montanha bastante tropical. Mas talvez as cenas de filme, especialmente daqueles associados ao Natal, mostravam cenários tão lindos cobertos de neve, que eu ficava imaginando como seria lindo conhecer um lugar assim…

A neve eu já conhecia havia algum tempo. Tanto a neve na paisagem urbana, quanto a neve na paisagem rural, vista especialmente de dentro dos trens nos diversos caminhos por onde passamos. Mas a neve na paisagem montanhosa é completamente diferente… Ela parece encantada, fofa, feita de algodão doce…

Mesmo a única estação de esqui que eu conhecia, na Serra da Estrela, em Portugal, não tinha um aspecto tão encantado quanto o que a minha imaginação guardava… Então eu ficava imaginando que encontraria uma cena bem “hollywoodiana”…

Além de tudo isso, há um terceiro elemento, que é o encanto do próprio trem… Ele remete a outro tempo, da infância dos pais, dos avós… Isso porque, no Brasil, já não se fazem mais trens como antigamente… Os trens que habitam minha memória são românticos, como a Maria Fumaça, ou mesmo como aqueles trenzinhos antigos de Campos do Jordão. Há uma magia nos trens até hoje, que leva centenas de pessoas a enfrentar fila para passear nele, nem que seja para dar uma voltinha pela cidade, especialmente no interior…

Juntando a montanha encantada, a neve e o trem, minha imaginação construiu um cenário simplesmente fantástico!

Há algum tempo venho acompanhando as postagens de um grupo suíço no Facebook. Por intermédio desse grupo fiquei sabendo da existência de uma cidade encantadora nos Alpes, chamada Grindelwald. Regularmente os membros desse grupo postam fotos tão lindas que parecem cartões postais…

Pois bem, o meu passeio encantado aos Alpes suíços incluiu até Grindelwald e conseguiu reunir os elementos possíveis para torna-lo inesquecível. Eu vi de perto, com meus próprios olhos, uma montanha coberta de muita neve fofa, com diversas casinhas com suas chaminés a pleno vapor, alguns rios que insistiam bravamente em correr em meio aquele cenário congelado, subi de trenzinho por dentro da montanha rochosa (não era de fibra de vidro), em alguns pontos de paradas estratégicas, enquanto nosso corpo se adaptava à altitude, eu podia apreciar a paisagem absolutamente branca, com alguns poucos pontos rochosos, e, para tornar o cenário ainda mais surreal, eu puder tomar um banho de neve, que caia densa, fofa, com flocos generosos, enfeitando a paisagem de forma única e especial…

Como se tudo isso não bastasse, presenciei um outro aspecto desse tipo de região, que foi o frenesi de uma Copa do Mundo de Esqui nos Alpes. Nas poucas estações intermediárias do trenzinho da montanha, subiam e desciam pessoas de todas as idades (desde crianças pequenas, quase de colo, até senhores e senhoras com cabelos branquinhos) equipadas com esquis, roupas especiais e muito entusiasmo, para alcançar as inúmeras estações de esqui espalhadas por toda a montanha…

As pistas pareciam não ter fim! Elas desciam quilômetros e quilômetros montanha abaixo. Nos pontos em que não havia estações de trem, havia estações de teleféricos que levavam os empolgados praticantes desse esporte para cima…

Em alguns pontos, especialmente os que possuíam estação de trem, havia restaurantes e hotéis, além de diversos chalés… Nunca imaginei que houvesse tanta vida e atividade no alto daquelas montanhas…

Foi uma das experiências mais incríveis pelas quais passei ao longo dos meus 37 anos de vida…

Obrigada, meu amor, Edu, não apenas por me proporcionar essa experiência, mas por criar em mim a expectativa de vive-la, e, principalmente, por vive-la junto comigo, com toda a emoção a que tínhamos direito…

No TGV de Lausanne a Paris, 15 de Janeiro de 2013.

Paloma Chaves

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Sobre Paloma Chaves

Doutoranda em Educação pela USP, Mestre em Educação: Currículo pela PUC-SP, Pedagoga, Professora do curso de Licenciatura no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP – Campus Capivari), Google Innovator, certificada no programa Google Teacher Academy (GTA-SP), consultora especialista no uso pedagógico da tecnologia e em avaliação de competências. Reside em Salto - SP e é casada com Eduardo Chaves.
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Uma resposta para Décimo nono dia: Um Passeio Encantado nos Alpes Suíços

  1. Selma Pupim disse:

    Amei Paloma, relembrei com detalhes da montanha encantada, do Playcenter! Que passeio maravilhoso o seu!

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