Décimo nono dia: Viagem a Jungfraujoch (The Top of Europe)

Pedi para a Paloma escrever a história dessa viagem… Ela ficou tão entusiasmada vendo neve em grande quantidade, pistas de esqui, gente esquiando e (no trem) indo esquiar (com toda a parefernália necessária), que acho que ela vai escrever um história muito melhor do que eu conseguiria.

Vou só dar a “cronologia” da viagem — que foi feita toda em trem. Cada item implica uma mudança de trem (a antiga baldeação):

1) Saímos de Genebra às 7h11, em direção a Bern, onde chegamos às 8h56;

2) Saímos de Bern às 9h04, em direção a Interlaken (estação Ost), onde chegamos às 9h57;

3) Saímos de Interlaken Ost às 10h05, em direção a Lauterbrunnen, onde chegamos às 10h25;

4) Saímos de Lauterbrunnen às 10h37, em direção a Kleine Scheidegg, onde chegamos às 11h20;

5) Saímos de Kleine Scheidegg às 11h30, em direção a Jungfraujoch, onde chegamos às 12h22.

No retorno fizemos, em parte, um trajeto diferente:

1) Saímos de Jungfraujoch às 14h30, em direção a Kleine Scheidegg, onde chegamos às 15h22;

2) Saímos de Kleine Scheidegg às 15h30, em direção agora a Grindelwald, onde chegamos às 16h05;

3) Saímos de Grindelwald às 16h15, em direção a Interlaken Ost, onde chegamos às 16h50;

4) Saímos de Interlaken Ost às 17h, em direção a Bern, onde chegamos às 17h55;

5) Saímos de Bern às 18h04, em direção a Genève, onde chegamos às 19h45.

Mais de doze horas de viagens e passeios.

O trecho entre Interlaken e Jungfraujoch (ida e volta) é de responsabilidade de uma empresa ferroviária privada, que não faz parte do sistema Eurail. Por isso tivemos de pagar a passagem, que não é barata, porque inclui não só o trajeto, mas a atração em si (cujo valor do ingresso é embutido no preço da passagem do trem). O preço foi CHF 148,40 (cento e quarenta e oito francos suíços e quarenta centavos) por pessoa (ida e volta). Para aqueles que não acompanham o andamento do câmbio terem uma ideia, o Franco Suíço hoje vale mais do que o Dollar Americano: 1 CHF vale 1,08 USD.

É isso… Deixo o resto para a Paloma.

Nossas fotos já estão disponíveis no Facebook.

Fotos da Paloma:

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10200223231481523.2196903.1174473048&type=3

Fotos minhas:

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151340275927141.493344.708902140&type=3

Em Genebra, 15 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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Décimo oitavo dia: Pluralidade de experiências… [Paloma]

Nos últimos 18 dias vivi tantos pequenos instantes preciosos e intensos, que parece ter passado uma eternidade desde que saímos de São Paulo.

Há um turbilhão de sentimentos e sensações em minha alma, fruto da diversidade de experiências. Sinto-me tão pequena e insignificante diante da grandiosidade e complexidade do mundo!

A cada mudança de país, muda-se o idioma, muda-se a moeda, muda-se o paladar, mudam-se as expectativas. Novos cenários, novas organizações geográficas, espaciais. O cérebro da gente precisa se adaptar rapidamente, e dentro de dois ou três dias, tudo já será diferente novamente.

Alemão, tcheco, húngaro, francês, isso sem contar o inglês e o espanhol… Um simples “obrigada” só sai na língua certa, depois de uma lista de palavras em outras línguas terem sido proferidas… Danke, děkuji, köszönöm, merci, thanks, gracias… (Tcheco e húngaro são cruéis… Para quê tanto acento???)

Euro, Coroa (ou Koruna), Florim (ou Forint), Francos Suíços, sempre tendo o Dólar e, principalmente, o Real como referências… A primeira providência, a cada novo país, era elaborar um esquema mental que facilitasse a conversão, para manter a lucidez em relação ao custo das coisas… Quase três vezes mais, um décimo mais dez por cento, quase um centésimo, o dobro e mais dez por cento… Como a vida é cara na Europa! Mas, garimpando nas grandes liquidações de ano novo, acha-se coisas tão baratas! 🙂

Avião, trem, metrô, tram, ônibus, barco, funicular (teleférico)… Foram tantos mapas de ruas e de meios de transporte, tantas linhas diferentes em cada tipo de transporte, que minha razoável noção espacial está entrando em curto circuito…

E as sopas? Quanta variedade! Carne vermelha, frango, peixe, fígado, presunto, frutos do mar, legumes diversos, verduras (espinafre, brócolis), cebola e até o “miojo”, em uma versão, digamos, mais oriental (vinha com um saquinho de tempero líquido, além do tradicional pozinho, como um shoyu especial). Cremosa, com caldo fino (tipo consommé), com macarrão, sem macarrão, teve até uma com cara de papinha Nestlé (senti uma nostalgia…). Tudo muito delicioso!

Ainda temos seis dias de viagem pela frente. Embora tenhamos Genebra como base, temos planos de passear em mais dois lugares completamente diferentes nos próximos dias. Os alpes suíços (Jungfraujoch e Schilthorn – este último acessível apenas por bondinho suspenso em cabos) e Veneza, na Itália.

As moedas não serão novas, mas os mapas, os meios de transporte e a língua serão diferentes… Ai meu Deus…

Acho que estou precisando de um pouco de rotina para descansar das férias… 🙂

Em Genebra, 13 de Janeiro de 2013.

Paloma

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Décimo oitavo dia: Dois cultos em Genebra

Havíamos programado ir à Cathédrale Saint Pierre de Genève para assistir ao culto, as 10h da manhã. Levantamo-nos 8h45, tarde, portanto, e nos aprontamos rapidamente — eu, depois de tomar banho, fazer barba, etc. Lá fora estava chuviscando, não muito forte, mas constante. Andamos rápido e chegamos lá por volta das 9h40.

IMG_8036La Cathédrale Saint-Pierre

Para um história da catedral, vejam: http://www.saintpierre-geneve.ch/index2.html .

Não havia quase ninguém. Escolhemos o assento e ficamos observando o pessoal chegar e começar a preencher os assentos naquela nave majestosa.

IMG_8041La Cathédrale Saint-Pierre

O organista já tocava músicas maravilhosas de uma forma perto da perfeição naquele órgão de tubos que parece fazer tremer as paredes do prédio. Ei-lo:

IMG_8174La Cathédrale Saint-Pierre

Quem olhou as fotos internas da catedral notou que o púlpito é imponente, fica bem bem no alto, e bem à frente da mesa usada para celebrar a Santa Ceia, do lado esquerdo da nave. Esta é a mesa da Santa Ceia:

IMG_8065La Cathédrale Saint-Pierre

O púlpito fica tão no alto que é necessário subir até ele através de uma escadinha, que dá numa portinha que, passado o pastor, é fechada.

IMG_8061La Cathédrale Saint-Pierre

Ele tem uma cobertura, da mesma madeira e no mesmo estilo, e, na frente, há uma mesinha simples com um vaso simples de flores — que é o único ornamento floral da igreja.

Na frente do púlpito há duas colunas de bancos que ficam no sentido perpendicular em relação aos demais bancos da nave, de modo que quem se senta ali fica bem de frente para o púlpito e para o pastor. Nós ficamos na terceira fileira de bancos, do lado esquerdo (e, portanto, do lado do púlpito). O pastor alterna o seu olhar entre os bancos “normais” e os bancos colocados de lado.

O pastor (Rev. Vincent Schmid) entrou na igreja, ao iniciar o Prelúdio, de toga preta discreta, e acompanhado de um outro oficiante, também togado de preto, que me pareceu ser o cantor, pois a única coisa que fez foi liderar a congregação nos hinos com uma voz de barítono bonita e forte. Ele ficou numa cadeira fechada (com portinha) bem no rumo do nosso banco. Assim:

IMG_8062La Cathédrale Saint-Pierre

A igreja continha bastante gente quando o culto começou, mas estava longe de lotada.

A liturgia é parecida com a liturgia das igrejas presbiterianas.

O tema do sermão foi “A Dor da Existência” (“La Douleur de l’Existence”). O pastor se baseou em dois textos, um de Eclesiastes (cap.2) e o outro dos Evangelhos (Mateus 16:24-26; cp. Marcos 8:34-37 e  Lucas 9:23-25).

Ele iniciou o sermão mostrando que viver é difícil. Frequentemente temos de tomar decisões difíceis, muitas vezes tomamos decisões erradas ou que nos trazem consequências indesejáveis. Nossos filhos, ainda moços, têm de escolher que vida vão viver, e, no processo, não raro tomam decisões que tornam a vida deles, e a nossa, mais difícil. Casamentos se desfazem, nós envelhecemos, nosso corpo começa a não mais seguir as orientações da nossa vontade, ficamos doentes e, ao final, temos de enfrentar a morte.

Tudo isso mostra que viver é um processo doloroso. Nossa busca por diversão e entretenimento é uma tentativa de fugir das grandes questões que nos afligem e dos grandes desafios que nos esperam.

Que fazer diante disso tudo?

A sugestão que ele forneceu foi tirada do texto dos Evangelhos, e, presbiterianamente, foi dividida em três partes:

Primeiro, parar de pensar em si e pensar no outro, focar a vida no serviço ao próximo: “Si quelqu’un veut venir après moi, qu’il renonce à lui-même”.

Segundo, enfrentar com coragem e resignação os problemas e desafios do dia-a-dia. “Si quelqu’un veut venir après moi, qu’il se charge de sa croix de chaque jour“.

Terceiro,  aceitar o desafio de Jesus de que é preciso perder a própria vida, por causa dele e de seus ensinamentos, é o único capaz de encontrar o sentido na vida…  “Si quelqu’un veut venir après moi, qu’il me suive. Car celui qui voudra sauver sa vie la perdra, mais celui qui la perdra à cause de moi la trouvera. Et que servirait-il à un homme de gagner tout le monde, s’il perdait son âme? ou, que donnerait un homme en échange de son âme? Car celui qui voudra sauver sa vie la perdra, mais celui qui la perdra à cause de moi la trouvera”.

É possível discordar do que dizem os Evangelhos, mas dificilmente se poderá dizer do pastor que ele não foi bíblico…

Depois do sermão, o organista tocou baixinho um belíssimo arranjo de “Se a Deus suplicas por auxílio”, durante uns três minutos, enquanto a congregação ficou silenciosa, meditando na pregação. Achei uma inovação (se é que é) interessante. Depois todo mundo se levantou e cantou o hino, que é um dos meus favoritos.

A pregação do Rev. Schmid durou exatos 21 minutos e o culto inteiro terminou depois de 55 minutos.

Ao sair da catedral resolvemos visitar a capela ao lado, chamado de Auditoire Calvin. Ao chegarmos lá vimos que estava terminando um culto da Igreja Reformada Holandesa e que iria começar um culto, em Inglês, da Church of Scotland, de tradição presbiteriana.

O cenário é bem mais despojado, mas havia um bom coral (embora não muito grande) e o pastor (Rev. Ian Manson). Havia crianças no culto, que saíram ao término do segundo hino. Foram cantados, ao todo, cinco hinos, dos quais quais eu conhecia quase todos. O pastor era bem mais simpático, mas o sermão, sobre o texto do Evangelho em que João Batista dá testemunho a Jesus, foi bem mais fraco — quase que só um desfilar de platitudes.

Depois desse culto, haveria café e algo para comer, mas resolvemos não ficar.

Voltamos para o quarto, ajeitamos algumas coisas, saímos, tudo fechado, mas compramos algo em um mercadinho que encontramos aberto na estação do trem. Voltando ao quarto, comemos e fizemos planos para os próximos dias.

Foi esse o nosso domingo.

Em Genebra, 13 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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Décimo sétimo dia: Comentário sobre as homenagens

No meu post anterior disse que hoje homenageamos (mais eu do que a Paloma) três personagens históricos ligados a Genebra: Voltaire, Rousseau e Calvino. Voltaire e Rousseau viveram no século XVIII. Calvino, no século XVI.

Dos três, só um era verdadeiramente genebrino: Rousseau. Os outros dois, Calvino e Voltaire, eram franceses mas encontraram em Genebra, ou nas redondezas, o clima necessário para realizar seu trabalho. Foram adotados pela cidade — Calvino especialmente ficou identificado com a cidade. Mas mesmo no caso de Voltaire, que acabou abandonando a cidade de Genebra pela vizinha Ferney, já na França, mas distante 900 km de Paris (e tão grudada em Genebra que seria possível cruzar a divisa com facilidade, no caso de perigo).

O fato de ter homenageado os três não quer dizer que os aprecie, como pessoas, de forma igual, ou que concorde totalmente com suas ideias. Na verdade, não concordo totalmente com as ideias de ninguém… Mesmo as minhas de vez em quando me parecem meio difíceis de aceitar.

PLANO PESSOAL

Voltaire

No plano pessoal, Voltaire certamente é meu favorito por várias léguas de vantagem. Era uma pessoa fundamentalmente boa, cordata, tolerante, solidária, que ajudava os outros, e, algo muito importante para mim, tinha um fantástico senso de humor (“Nunca disse uma mentira em minha vida”, disse ele, “mas ao longo dela inventei muitas verdades…”). Frase profunda: por que é possível (na verdade, extremamente fácil) inventar mentiras mas parece impossível inventar verdades?

Ao se mudar de Genebra para a vizinha Ferney (hoje Ferney-Voltaire), já na França, mas grudada em Genebra, Voltaire adotou a nova cidade e ela retribuiu o gesto afetivo, tornando-o o filho mais importante e querido da cidade.

Eis o texto de um dos lados da estátua de Voltaire na local mais central da cidade (vide foto dos dizeres no link fornecido abaixo): 

“Ao Benfeitor de Ferney:

Voltaire mandou construir mais de cem casas [em Ferney]. 
Ele deu à cidade uma igreja, uma escola, um hospital, o reservatório de água e a fonte. 
Ele emprestou dinheiro sem cobrar juros às comunidades circundantes. 
Ele mandou secar os pântanos locais. 
Ele estabeleceu feiras e mercados. 
Ele deu alimentos aos habitantes durante a carência de alimentos de 1771.”

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151336115172141&set=a.10151336061172141.492826.708902140&type=3&theater

Rousseau

Rousseau era um tipo muito diferente. Na verdade, sempre o achei uma pessoa detestável. Era Chato, terrivelmente paranóico, tratou incrivelmente mal suas várias mulheres e abandonou seus muitos filhos em orfanatos…

Paranóico que era, sempre se considerou perseguido (o que não elimina o fato de que algumas vezes realmente o tenha sido). Mas vivendo em Genebra, no século XVIII, estava bem protegido e seguro. Mas o complexo de perseguição continuava. Por isso, Voltaire, sempre o Voltaire, o ajudou a encontrar “asilo” na Inglaterra, e foi Hume, o filósofo sobre o qual escrevi minha tese de doutoramento, que o abrigou lá, a pedido de Voltaire, que era seu amigo. Hume há de ser o melhor filósofo que já existiu, do ponto de vista humano — embora não fosse dado a atos de generosidade como o de Voltaire em Ferney. Hume acolheu o chatonildo do Rousseau, deu-lhe casa e alimentação, procurou inseri-lo em sua rede de contatos (no seu “networking”)… Mas logo Rousseau achou que Hume o estava sacaneando pelas costas e fez um auê. Voltaire ficou bastante aborrecido com o acontecido. Rousseau acabou abandonando o Reino Unido e voltando para sua terra natal, sem que nada lhe acontecesse.

Calvino

Calvino, era sisudo demais para o meu gosto. E, além de tudo, é o responsável moral pela morte de Michel Servetus, cujo único crime foi a heterodoxia.

Mas gosto da seriedade com que encarava as coisas, principalmente sua missão de implantar a fé reformada em Genebra e de lhe construir um arcabouço teológico que lhe permitisse competir em condições de igualdade com a teologia católica romana.

Assim, no plano pessoal, Voltaire ganha de goleada.

NO PLANO PROFISSIONAL E NO CAMPO DAS IDEIAS

Voltaire

No plano profissional e no campo das ideias, também fico com Voltaire. Considero-o o maior philosophe do Iluminismo francês. Voltaire na França, Hume no Reino Unido, e os dois Thomas nos Estados Unidos:  Thomas Jefferson e Thomas Paine.

Rousseau

Rousseau escreveu algumas coisas interessantes, das quais Émile é a de que mais gosto. Politicamente, acho Rousseau autoritário e, até certo ponto, o pai da social democracia atual. Pena que não escreveu uma filosofia política coerente com sua filosofia da educação, que oferece uma visão libertária, anarquista mesmo, laissez-feire da educação centrada no aluno.

Calvino

Calvino foi, a meu ver, um gênio ao sistematizar as ideias da Reforma. Lutero escreveu muito, mas seu pensamento não era sistemático. Calvino, nas Institutio Christianae Religionis (vide http://en.wikipedia.org/wiki/Institutes_of_the_Christian_Religion), que é uma obra prima teológica, deu forma e embasamento teórico ao pensamento reformado. Isso não quer dizer que aceito todas as suas ideias. Mesmo sendo presbiteriano (igreja que foi criada, do ponto de vista organizacional, pelo reformador escocês John Knox, com base nas ideias de Calvino), faço sérias ressalvas ao pensamento do mestre genebrino — fundador daquilo que veio a se tornar a Universidade de Genebra.

Há uma coisa que aprecio muito em Calvino (e que ele, possivelmente, herdou de Santo Agostinho): sua visão quanto à natureza dos governos. Calvino, como Agostinho, acreditava na total depravidade humana depois da queda. Assim, não mantinha ilusões sobre a natureza humana, e, consequentemente, não via o estado, que é uma instituição humana, não redimida pela graça (nem mesmo em Genebra), como capaz de promover o homem ou mesmo apenas o sem bem-estar. Não havia, neles, vestígios, ainda que tênues, de pensamento utópico, de que fosse possível redimir a “cidade dos homens” através de atos revolucionários ou de legislação supostamente mais justa, que pudesse promover a bondade, a solidariedade, e a igualdade substantiva entre os humanos. Na realidade, Agostinho não hesitava em taxar os estados de “bandos de ladrões” — não circunstancialmente, mas em função de sua própria natureza.

Outra tendência que considero interessante no pensamento de Calvino é sua doutrina da providência (que é distinta de sua doutrina da predestinação, que é totalmente determinista). Vou aborda-la de uma forma admitidamente heterodoxa apelando para um filme de Woody Allen, Match Point

Em regra, o sucesso dos outros, nós o atribuímos à sorte; o nosso próprio, aos nossos valores, à nossa competência, ao nosso esforço.

Pelo nosso próprio infortúnio, geralmente culpamos o azar; a desgraça dos outros, nós a atribuímos aos seus valores, à sua incompetência, à sua falta de esforço.

Esses fatos refletem, talvez, uma tendência (até compreensível) da natureza humana.

Não tenho a intenção, aqui, de negar o papel da sorte e do azar, tanto nos sucessos como nos insucessos que acontecem conosco e com os outros. Pelo contrário, eu o reafirmo.

O filme de Woody Allen começa com uma cena instigante. Um jogo de tênis, em que a bolinha vai de um lado da quadra para o outro e volta, várias vezes, até que bate na parte de cima da rede e sobe – e a cena é congelada com a bolinha no alto.

Uma voz, em off, diz:

“O homem que disse ‘Prefiro ter sorte a ser bom’ tinha uma visão profunda da vida. As pessoas têm medo de enfrentar o fato de que uma parte grande de nossa vida depende da sorte. É assustador imaginar que tanto, em nossa vida, escapa, ou pode escapar, de nosso controle. Há momentos numa partida de tênis em que a bola bate no topo da rede, e, por uma fração de segundo, pode ir para frente ou cair para trás. Com um pouco de sorte, ela vai para frente, e você ganha o jogo. Mas isso nem sempre acontece. Há vezes em que ela cai para trás, e você perde.”

Não quero negar o fato de que em nossa vida, na vida de todos nós, há momentos como esse. Pelo contrário: acho que o fato aqui descrito é uma experiência comum de todos nós.

É verdade que, muitas vezes, sorte e azar não passam de rótulos para acontecimentos que afetam nossa vida, ou a dos outros, de forma favorável ou desfavorável, e que nós simplesmente não conseguimos ou queremos explicar (mas que teriam uma explicação perfeitamente natural e inteligível). Nesses casos, o apelo à sorte e ao azar não passa de mecanismo de ocultamento ou disfarce de nossa ignorância.

Devo esclarecer, entretanto, que não tenho dúvida de que acontecimentos que são corretamente atribuídos à sorte ou ao azar têm seu papel em nossas vidas. Nesses casos, é legítimo dizer que inexiste explicação racional para esses acontecimentos. São esses acontecimentos que deixam a brecha, em uma visão racionalista do mundo, para que pessoas religiosas invoquem o supernatural, na forma de milagre ou outras formas de intervenção supernatural ou providência divina no reino natural. Os racionalistas vão alegar que o que considero inexplicável é simplesmente o ainda inexplicado (que será explicado racionalmente um dia). Mas, hoje, isso me parece fé na razão (embora um dia já tenha acreditado piamente nisso).

Calvino elaborou uma sofisticada doutrina da providência divina para sugerir uma explicação desses fatos… Falou em uma providência geral, em uma providência especial, e em uma providência especialíssima… Ou seja, a providência divina cuida de diferentes pessoas de maneira diferente… E, dos eleitos, cuida de uma forma especialíssima.

É por isso que, na sequência do calvinismo, o sucesso material foi considerado como ato da providência divina que, de maneira especialíssima, cuidava daqueles que havia elegido, desde a eternidade, para serem o seu povo escolhido… Essa doutrina produziu o capitalismo, do qual Calvino é, não raro, considerado o pai.

Quem se considera eleito e especialissimamente protegido por Deus tem, nessa crença, um elemento motivacional fantástico, muito mais forte do que a crença na sorte. Isso explica, se Max Weber estava certo, como acredito que estava, a diferença de desempenho econômico entre países protestantes e países católicos.

Mas talvez me separe demais do meu tema… Mas tenho de fazer uma última obsrvação.

Nem tudo é fruto de sorte ou azar. Nem Calvino achava que tudo é devido à divina providência. Há, também, acontecimentos, favoráveis ou desfavoráveis, que nos sobrevêm, que em nada dependem de sorte e azar ou da divina providência. Eles são decorrentes pura e simplesmente de nossos valores, de nossas escolhas, de nossa capacidade ou incapacidade de transformar nossas escolhas e decisões em ações. Esse tipo de acontecimento provavelmente é muito mais frequente do que aquele em que é cabível invocar sorte ou azar ou a proteção da providência divina.

Mudando um pouco o tom, para concluir.

Há uma placa importante no Mur des Réformateurs, no Parc des Bastions, aqui em Genebra, que diz:

“21 de Maio de 1536. O povo de Genebra, reunido em Conselho Geral, ratificou os editos da Reforma e decretou a instrução pública obrigatória.”

A maior parte dos defensores da educação pública ignora (entre várias outras coisas) essa dívida deles para com a Reforma Protestante… com Calvino, em particular.

Acho que era isso que eu queria esclarecer… Quem sabe, na continuidade, continue a mexer nesse artigo, corrigindo, acrescentando — como já o fiz nesta versão atual, de um dia depois (13/1) da original (12/1)…

Em Genebra, 12 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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Décimo sétimo dia: Un hommage à trois Genevois

Hoje, dia 12 de Janeiro, resolvemos homenagear três ilustres filhos de Genebra: um nativo, os outros dois adotados…

Eu acordei às 3h da manhã. Escrevi um post para o blog e fiquei fuçando na Internet. Escutei quando a Sílvia Klis e o Edson Saggiorato saíram, por volta das 5h15, para tomar o TGV para Paris. Não dormi mais.

Por volta das sete e pouco tentei acordar a Paloma. Levou tempo… Sol lindo lá fora: a manhã mais bonita dessa viagem. Fiquei com dó da Sílvia e do Edson, que ficaram um dia e um pedaço aqui debaixo de chuva. Foi eles saírem para Paris e o dia aqui amanheceu “gorgeous”, como dizem os americanos.

Continuei tentando acordar a Paloma. Disse a ela que o dia estava lindo. Não consigo imaginar que alguém prefira dormir num dia desse tipo em Genebra a sair por aí vendo as belezas naturais e as criadas pelo homem… Mas custou convence-la a sair da cama, tomar banho e se aprontar…

Tomamos um chocolate quente aqui no quarto mesmo…

Nosso primeiro destino foi a Cathédrale de Saint Pierre — nossa homenagem a Jean Calvin, o homem de leis francês que se radicou em Genebra, foi expulso, e, finalmente, foi convidado de volta, recebendo das mãos dos genebrinos poderes quase absolutos… Visitamos a catedral, subimos à torre, vimos a cidade inteira a partir de lá… Coisa linda. Em seguida, visitamos o Musée de la Réformation — não pagamos pela excursão, só ficamos na sala de entrada, onde há uma livraria interessante, mas com um gerente (ou vendedor) insuportável. Do Museu descemos pela Rue Jean Calvin e vimos a casa em que ele morou. Na verdade, a casa que está construída em substituição àquela em que ele morou — no mesmo lugar. Depois, fomos ao Parc des Bastions, ver o Monument International de la Réformation (ou Mur des Réformateurs), que, na verdade, é um monumento aos reformadores “reformados” que usaram a língua francesa e inglesa: Guillaume Farel, Jean Calvin (em segundo lugar, mas no primeiro plano), Théodore de Bèze e John Knox.

(Vr http://www.ville-geneve.ch/monuments-lieux-interet/patrimoine-monuments/reformateurs/).

Nosso segundo destino foi L’Espace Rousseu, ainda na Cidade Velha. Ele fica no lugar em que Rousseau nasceu. Também há uma pequena livraria e biblioteca lá, mas o espaço é basicamente para discussão. De lá descemos o morro até o nível do lago, onde visitamos L’Île Rousseau, uma ilhazinhas no ponto final do lago, em que ele está virando o rio Rhône. Vários painéis comemorando o tri-centenário do filósofo genebrino.

Nosso terceiro destino foi, de novo, Ferney-Voltaire. Hoje, encontramos duas estátuas de Voltaire no centrinho da cidadezinha e andamos até o “castelo” de Voltaire — Le Château de Voltaire (que não é bem um castelo, mas, sim, um casarão. A casa estava fechada à visitação para o Inverno, mas, mesmo assim, conseguimos fotografar o exterior de vários ângulos a partir dos portões e dos muros. No fim do dia, tomamos um delicioso chocolate quente no Café Voltaire, que fica na Rue Voltaire, em Ferney-Voltaire…

Entre o segundo e terceiro destino comemos alguma coisa, perto aqui do hotel e da estação do trem… Ao voltar de Ferney-Voltaire paramos no aeroporto e viemos de lá até o centro de trem…

Da estação até aqui paramos nuns botecos, porque os supermercados já estavam todos fechados (fecham às 17h aos sábados). Agora estamos “jantando” baguete, presunto, queijo, vinho, coca-cola… E chocolate Lindt de sobremesa.

Esqueci de dizer que houve uma mudança em nosso retorno. Íamos sair de Genebra no dia 17, durante o dia, para ir de trem de volta para Viena, e de lá sairíamos à noitinha para ir para Zurique e, de lá, para São Paulo. Acontece que Zurique está aqui perto. Conseguimos que a Swiss mudasse nosso voo de Viena / Zurique para Genebra/Zurique — mas o preço foi adiar em um dia nosso retorno, para evitar uma multa de mais de 700 francos suíços (que estão mais valiosos do que o dólar americano). Assim, vamos sair daqui de Genebra no sábado, dia 19, para São Paulo, via Zurique, chegando em São Paulo no domingo, dia 20, cedo. Com isso ganhamos tempo… A viagem daqui até Viena leva cerca de nove horas, porque tem de passar por Zurique…

É isso. A Paloma e eu tiramos fotos que disponibilizaremos ainda hoje.

Em Genebra e Ferney-Voltaire, 12 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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Décimo sexto dia: Genebra e Ferney-Voltaire

Ontem dia 11/1, estava chuviscando e fazendo muito frio de manhã… Mesmo assim saímos com cara e coragem.

Primeiro fomos à Cidade Velha. Mas chegamos lá meio cedo demais (saímos às 8h), e a Catedral de São Pedro, igreja da qual João Calvino foi pastor, no século XVI, estava fechada para visitação, só sendo aberta às 10h. Rodamos por lá, vendo os magníficos edifícios daquelas ruazinhas antigas, calçadas com pedras… Tomamos chocolate quente num Café em que o garçon era, como sempre, português…

Depois descemos, rodamos um pouco pelo centro, perto do Lac Léman, e decidimos tomar um ônibus para nos levar a Ferney-Voltaire, já na França, cidadezinha tornada famosa pelo seu habitante ilustre do século XVIII, que fez com que até o nome da cidade se mudasse e ficasse hifenizado com o nome do grande filósofo.

Aqui cabe uma notinha importante. A cidade de Genebra resolveu, há algum tempo, dar um passe completo de transporte público (ônibus, tram, barco e trem), na Zona 10, que abrange a maior parte da cidade, para todo turista que se registra em um hotel. É uma economia considerável. E o sistema público de transporte aqui é absolutamente invejável.  Pessoalmente sou contrário a monopólios por parte do governo de coisas como o transporte coletivo. Mas aqui, funciona. E funciona de modo quase perfeito.

Cada ponto de ônibus, tram, etc. tem uma máquina de bilhetamento. E, agora, dentro dos próprios meios de transporte, há essas máquinas. Se alguém chega na últíssima hora e não consegue comprar o bilhete antes de entrar no veículo, precisa fazê-lo assim que entra nele. Ontem vimos a polícia literalmente prender um rapaz que não o fez. O preço é relativamente baixo. Parece um exagero prender alguém por uma fraude tão (na aparência) insignificante. Mas se o não cumprimento das leis não é punido com rigor, a coisa facilmente esculhamba. Assim, o não pagamento do ônibus dá cadeia.

Nesse espírito, constatamos, pelo mapa, que o ponto de parada em que queríamos descer era o primeiro ponto depois da mudança da Zona 10 (em que é válido nosso bilhete) para uma outra Zona, já na França. Resultado: descemos no último ponto antes da Duana, e fomos a pé até o outro lado, em Ferney-Voltaire. Na volta fizemos o mesmo: passamos a Duana para pegar o ônibus no limite da Zona 10. Como não há cobrador no ônibus, um brasileiro poderia ficar tentado a tentar ficar no ônibus até o ponto seguinte — afinal de contas, o que é um trechinho de quatrocentos metros, mais ou menos? Mas aqui, não.

É o mesmo espírito que nos faz, como pedestres, ficar esperando o farol mudar, nos cruzamentos, mesmo quando nenhum veículo está vindo… Se a coisa começa a esculhambar, e um e outro começam a dar uma corridinha e cruzar a rua quando não há faixa ou quando o sinal está vermelho, logo ela fica como no Brasil.

Fim do parêntese.

Em Ferney-Voltaire a chuva aumentou e entramos num Carrefour. Acabamos comprando um bocado de coisinhas. Eu comprei um cartão de memória de 32 GB por 22,90 Euros. O Edson comprou até camisas.

Depois almoçamos num restaurantinho dentro do Carrefour. Comida deliciosa.

Depois disso, a chuva havia diminuído um pouco e resolvemos voltar para território suiço.

Aproveitando nosso passe, fomos até o limite, usando trams e ônibus, margeando o lago e apreciando a vista maravilhosa. Na volta, pegamos uma barquinho (chamado de mouette) que nos levou direto de La Plage de Genève para Paquis, local em que está situado o nosso hotel.

Depois de descansar uma meia horinha, fomos ao supermercado comprar vinho, queijos, sopa semi-pré-fabricada, etc., para fazer um jantar de despedida para a Sílvia e o Edson, aqui no nosso quarto, mesmo. Foi uma experiência fabulosa. Ainda bem que o quarto é maior do que o normal, tem cozinha, todos os utensílios de cozinha, louça, talher, etc.

A propósito, preciso deixar aqui uma palavra já de saudade da Sílvia e do Edson. Foram excelentes companheiros de viagem: alegres, divertidos, bem dispostos a bater perna, sempre prontos a topar qualquer ideia ou sugestão, por mais esdrúxula que fosse… Gostamos muito de viajar com eles. No buraco, acho que, se somarmos todos os pontos do que ontem chamei de “temporada europeia”, saímos ganhando. Mas felizmente jogamos fora os papeizinhos em que anotamos os resultados dos jogos. Mais para o final o Edson anotou os resultados no iPad dele, de modo que tem os resultados gravado lá… Houve uma partida, em que os dois lados passaram de 4.000 pontos, e que a Paloma e eu perdemos por 15 apenas. Considerei isso um “empate técnico”. [Na “temporada brasileira” confesso que estamos bem atrás deles… Mas vamos recuperar.]

Vamos lá. Hoje a Paloma e eu vamos andar por aqui mesmo, talvez voltando a Ferney-Voltaire se o tempo ajudar. Vamos tentar fazer turismo um pouco mais light, porque os últimos dias, com frequentes entradas e saídas em hotel e em trem, com malas pesadas, foram cansativos… Precisamos recuperar as forças. E a Paloma está morrendo de vontade de passar umas boas horas, sem pressão de tempo, dentro do Magasin Manor, com todos os seus múltiplos andares. E eu, quem sabe, enquanto ela faz isso, me divirto na magnífica Librairie Payot (http://www.payot.ch/).

A propósito, ante-ontem à noite comprei um livro na Amazon France (Histoire de la Philosophie Occidentale, de Jean-François Revel, autor francês, já falecido, de quem gosto muito), dando como meu endereço o do hotel, para ver se funciona. Deve ser entregue hoje. Vamos conferir.

Fico aqui, por ora. Começei a navegar e a escrever eram mais ou menos 3 da manhã do dia 12.

As fotografias do dia de ontem a Paloma irá postar no Facebook dela.

Para quem não o leu ainda, e tem interesse em Genebra, sugiro a leitura do post que escrevi sobre essa cidade, que me é tão querida, antes de sair do Brasil (na verdade, no Dia de Natal, depois de retornamos de Ubatuba) — aqui mesmo neste blog. Nesse post há várias fotos importantes da cidade:

https://tripeu20122013.wordpress.com/2012/12/25/genebra/

Em Genebra, 12 de Janeiro de 2013 (dia do aniversário de nossa amiga Ana Ralston)

Eduardo Chaves

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Décimo quinto dia: Chegada a Genebra

Chegamos a Genebra, conforme planejado, às 16h15. Da Gare Cornavin, que é a estação ferroviária até a cidade, são cinco quarteirões. Andamos, puxando as malas, debaixo de uma garoa.

Aqui no hotel, deu tudo certo, os quartos são melhores do que esperávamos.

Ajeitamos as coisas um pouco no quarto e fomos até o Grand Magasin Manor, que tem um supermercado, no primeiro andar, e seis outros andares de outras coisas, inclusive livraria e computadores e tablets da Apple (e de outros fabricantes). Comprei um adaptador de tomada, porque as tomadas da Suiça são diferentes das do resto da Europa. As tomadas, na verdade, são idênticas às novas tomadas do Brasil. A Paloma as usa sem problema, porque o MacBook dela tem plug brasileiro. O meu é americano, e, por isso, preciso de um adaptador, tanto no resto da Europa como aqui.

Na livraria comprei um livro interessante: Histoire Secrète du Vatican, de Corrado Augias (original italiano: I Segreti del Vaticano). O que havia na introdução e nas capas me convenceu a pagar os 18,60 euros do preço.

Jantamos no buffet do Manor. Cada um escolhe o que quer comer. Todo mundo achou o preço caro.

Depois compramos algumas coisas no supermercado (eu, um vinho italiano (siciliano), marca Corvo. Bem decente.

Acho que por ora é só.

Em Genebra, 10 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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Décimo quinto dia: A caminho de Genebra

Estamos no trem de Salzburg para Zurique e de Zurique para Genebra… Vou aproveitar para comentar algo que me parece interessante.

Uma leitora do blog que pretende viajar para a Europa em Março de 2013, passando por algumas das cidades em que ficamos, comentou alguns posts nossos e agradeceu os conselhos e as dicas… Fico grato pelo agradecimento — mas até que, no meu entender, não demos muitos conselhos e dicas…

Vou aproveitar para escrever um post suprindo essa falha…

1) Não tente viajar por muitas cidades em pouco tempo… É uma tribulação. Se possível, restrinja o número de cidades, permanecendo em cada uma delas pelo menos uns cinco dias (contando o dia de chegada e o dia de saída). As principais cidades européias são tão ricas em atrações, que é preciso dispor pelo menos de três dias inteiros para ver as principais. Uma cidade como Paris ou Londres requer bem mais do que isso.

2) Viajar para a Europa no Inverno é, para nós, brasileiros, em geral mais conveniente, porque (exceto pelos dias ao redor do Natal e do Ano Novo) a gente evita a correria das férias do Verão europeu e, além de tudo, encontra preços bem mais em conta. Isso não se aplica, porém, a cidades caracterizadas pelo turismo de Inverno, como as que ficam nos Alpes. Por causa dessa ressalva, se você quiser simplesmente passear (sem esquiar) em cidades famosas pelos esportes de Inverno, vai encontrar preços altos e congestionamento de gente — exatamente por ser Inverno. Saint Moritz, na Suiça, por exemplo, é uma má pedida para nós no Inverno — repito: a menos que você queira esquiar (ou faça questão mesmo de conhecer o resort). Davos, em Fevereiro, é um desastre, por causa das reuniões do World Economic Forum. A cidade, minúscula, fica congestionada. Muita gente precisa se hospedar em cidadezinhas vizinhas.

3) Tente viajar o mais “leve” (“light”) possível (sem carregar muita coisa) — algo difícil de conseguir, por causa do frio, se você vai viajar no Inverno europeu. Principalmente nós os brasileiros, em geral friorentos, temos a tendência de levar muito mais roupa do que vai usar. E, o que é pior: roupa inadequada, que não esquenta o suficiente. As mulheres, principalmente. Quando a gente está fazendo turismo, ninguém repara se a gente está usando o mesmo casaco pelo décimo dia consecutivo… Leve uma bota, para a eventualidade de encontrar neve, e outro sapato fechado confortável para andar em dias em que não há neve. Só. Dezembro, Janeiro e Fevereiro neva muito. Por volta do fim de Março pode estar nevando bastante ainda ou o tempo pode estar se tornando primaveril. Mas pode nevar até Maio. É bom monitorar as temperaturas nos locais que você visitar por pelo menos umas duas semanas antes de partir para ter uma ideia do que é bom levar em termos de roupas. (Hoje é fácil fazer isso através da Internet). Além disso, com neve ou sem neve, se você for viajar de trem, é complicado ficar colocando mala em trem e tirando mala de trem…

4) Decida antecipadamente como você vai viajar na Europa. O mais conveniente é trem, por uma série de razões. Primeiro, há trem para tudo quanto é lugar. Segundo, as estações de trem em geral estão no centro das cidades. Terceiro, ninguém tira raio x de você ou de sua bagagem, nem muito menos pede para você passar por uma inspeção manual de segurança. O lado ruim desse tipo de viagem é que você tem de cuidar de sua bagagem o tempo todo — não é como no avião, em que você entrega a bagagem para eles no início e só pega no fim. Outro aspecto ruim é que em boa parte dos trens você tem de subir uma escadinha para chegar ao nível dos assentos, e é complicado carregar uma bagagem de 25 kg degrau acima. Ainda um terceiro aspecto negativo é o fato de que muitos trens não foram feitos para casais que carregam malas enormes (cada um pelo menos uma), mais duas moxilas, mais câmeras, mais bolsas, etc. É difícil acomodar tudo isso na maioria dos trens. Não se esqueça ainda de que há trens com dois andares. Se você for ficar no andar superior, tem mais uma escadinha para subir com sua bagagem — a menos que queira deixá-la totalmente desacompanhada no andar de baixo.

5) Ainda sobre trens. Uma boa pedida, se você for ficar vários dias na Europa (de 15 para cima) e viajar bastante é comprar um Passe Global (Eurail é o mais conhecido). Há várias modalidades de passe. Um que a Paloma e eu compramos é o Eurail Global Pass: permite que você viaje durante 21 dias por todos os países europeus (na verdade, por 25 deles). Adultos precisam comprar um passe de primeira classe. Jovens até 26 anos podem comprar um passe de segunda classe. Casais que viajem sempre juntos têm um desconto. No Inverno o preço também é mais barato. Com um passe desses você pode viajar para qualquer lugar dentro da Europa sem pensar em gastar seu cash ou usar seu cartão de crédito. E você paga por ele com cartão de crédito, no Brasil (mas em dólares).

6) Algumas dicas sobre segurança. A maior parte das grande cidades européias (Londres, Paris, Zurique, Bruxelas, etc.) é bastante segura. Mas as cidades do antigo Leste Europeu ainda sofrem o efeito da pobreza gerada pelo Comunismo. Tome cuidado. Talvez a principal dica, especialmente em cidades como Praga e Budapest, é não fazer negócios na rua (como trocar dinheiro ou aceitar oferta de taxi e passeios). Há muito malandro nas ruas dessas cidades. Vá a uma casa de câmbio, um ponto de taxi, ou uma agência de turismo para fazer essas coisas. Tente fazer as reservas de hotel aqui no Brasil, usando sites como Booking.Com ou, então, o Accor.Com para os hotéis da rede Accor. Não negocie preço de hotel no próprio hotel. O café da manhã está incluído na diária de alguns hotéis, mas não de todos. Não está incluído, por exemplo, na diária dos hotéis da rede Accor (Sofitel, Novotel, Mercure, Ibis, etc.). Mas eles tentam lhe vender a opção de “breakfast included”, mas por um preço muito caro: até o equivalente a 17 Euros por pessoa (quase 50 reais por pessoa!). Por metade desse preço você toma um café da manhã muito reforçado em uma coffee shop — ou até mesmo no McDonalds, que tem combos especiais para o café da manhã, com ovos, presunto, batata “hashed”, suco e café com leite.

7) Sobre o problema de conversão de moedas, é bom se familiarizar de antemão com o valor relativo delas. Se você tiver o iPhone ou um smartphone com Android, baixe uma app chamada Exchange, que tem, no ícone, os símbolos do Euro, da Libra e do Dollar. E aprenda a usá-lo. Alguns países, como a República Tcheca (Praga) e a Hungria (Budapest), embora façam parte da Comunidade Européia, não adotaram o Euro ainda (e até pode se dar o caso de nunca virem a adota-lo, visto os problemas da Grécia, de Portugal, da Espanha…). Nesses países você terá de converter dinheiro para as Coroas (Korunas) tchecas ou os Florins (Forints) húngaros… E vai querer saber quanto custa cada coisa também em Euros, ou Dollars, ou Reais, para ter certeza de que está fazendo um bom negócio. E a app que mencionei é fantástica nesse aspecto.

Acho que é isso…

Em Genebra, 10 de Janeiro de 2013 (escrito em parte no trem)

Eduardo Chaves

 

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Décimo quarto dia: Pouca atividade em Salzburg

Hoje, 9 de Janeiro de 2013, quarta-feira, não tivemos um dia muito produtivo em termos de sight seeing.

Nossos amigos Sílvia Klis e Sérgio Saggiorato anunciaram que chegariam ao hotel por volta das 11h, vindos de Viena, onde ficaram segunda e terça-feira.

Por isso, resolvemos não sair de manhã para passear. Levantamos um pouco mais tarde, saímos para tomar café num café aqui perto do hotel, e esperamos por eles. Chegaram na hora prevista.

Depois de lhes dar um tempo para se aclimatar, fomos à estação ferroviária para reservar assentos nos trens que vão nos levar daqui para Genebra amanhã. Teremos de baldear em Zurique. Daqui para Zurique iremos no nosso já familiar Rail Jet. De Zurique para Genebra pegaremos um InterCity Train suíço.

De lá demos uma passeada pelo centro velho da cidade e resolvemos almoçar. Escolhemos o mesmo restaurante em que almoçamos anteontem: Zum Mohren. Descobrimos, hoje, que Schubert e Mozart almoçaram nesse restaurante, que data do século 15! Podem imaginar? Demoramos bastante tempo para almoçar. A Paloma pediu sopa de mariscos e, depois, spaghetti à la carbonara, a Sílvia pediu salmão, o Edson pediu prosciuto parma com melão e, depois, spaghetti à la puntanesca, e eu pedi uma minipizza de pepperoni e salame. Tudo muito gostoso, como o foi na segunda-feira.

Depois subimos o morro para ver o castelo, aqui chamado de fortaleza: O Festung Hohensalzburg. Vide dois sites:

http://www.salzburg-burgen.at/de/hohensalzburg/index.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Festung_Hohensalzburg

Passeamos pela fortaleza, fora e dentro, e tiramos fotos dela e de lá de cima. Vejam as fotos tiradas pela Paloma:

http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10200192122543819.2196443.1174473048

No álbum há fotos de downtown Salzburg também, não só da fortaleza.

Depois da visita à Fortaleza, passamos pelo mercado a céu aberto, a Sílvia comprou manga desidratada e a Paloma castanhas de caju… De lá viemos a pé para o hotel, parando num supermercado para comprar umas beliscagens.

É isso, por hoje. Amanhã, Suiça.

Em Salzburg, 9 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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Décimo terceiro dia: Excursões ao redor de Salzburg

Hoje, dia 8/1/2013, é nosso segundo dia (primeiro, se considerarmos um dia completo) em Salzburg.

Resolvemos fazer excursões hoje: duas. A primeira, a excursão de The Sound of Music. A segunda, a excursão pelos lagos situados nos vãos (vales) das montanhas aqui de perto…

Saímos do hotel de manhã, antes das 8h, em direção a Mirabel Platz, local de onde saem as excursões da Panorama Tours. Compramos os bilhetes (37 Euros por pessoa, por excursão — it ain’t cheap). Comprados os bilhetes, ainda havia bastante tempo livre. Fomos tomar um chocolate com Apfelstrudel numa Konditorei próxima.

Às 9h30 saiu a excursão de The Sound of Music. Primeira parada, o Schloss Leopoldskron, em cujos jardins várias cenas do filme (que em Português foi chamado de “A Noviça Rebelde”) foram filmadas – e do qual uma ou duas salas serviram de modelo para salas recriadas em estúdio para a filmagem das cenas internas.

[O Leopoldskron é, na minha opinião, um palácio, não um castelo – mas eles aqui o chamam de Kron, castelo; por outro lado, o castelo da cidade, no alto do morro, eles não chamam de Kron, castelo, mas, sim, de Festung, fortaleza. Idiossicrasias lingüísticas regionais].

Em Setembro de 2003, como já disse, participei, no Leopoldskron, de um seminário de uma semana sobre Inclusão Digital realizado por uma organização americana chamada The Salzburg Seminars. Minha participação foi gentileza da Microsoft, que era uma das patrocinadoras daquele evento em particular. Sherri Bealkowski, que então dirigia a área de programas educacionais da Microsoft, no plano mundial, era uma das docentes no seminário. Além de mim, participou Michael Furdyk, membro, como eu, do Conselho Consultivo Internacional do programa “Partners in Learning”, da Microsoft. E além de nós dois, também participou do seminário, indicado pela Microsoft, Tim Magner, então Diretor de Educação Básica (K-12) da Microsoft – e hoje Diretor Executivo da Partnership for 21st-Century Skills, cargo que passou a ocupar depois de ter sido Director do Office of Technology and Education do Department of Education do governo federal americano – o cargo mais importante, e, portanto, mais cobiçado, nos Estados Unidos, na área do uso da tecnologia na educação e das aplicações pedagógicas da tecnologia.

Parêntese. Antes de prosseguir, uma palavra sobre Michael Furdyk. Ele nasceu dia 4 de julho de 1982. Tem, portanto, atualmente, 30 anos. Ganhou seu primeiro computador, um Commodore 64 (igual ao meu primeiro computador), de seu pai, em 1984, quando fez 2 anos.  Gosto de dizer do Michael que ele é o fundador da geração digital – o primeiro ser humano que é um nativo do mundo digital, não um imigrante, que, por melhor que fale o digital, vai sempre falar com sotaque. Em 1993, quando surgiram os navegadores gráficos para a Web, Michael tinha onze anos. Aprendeu imediatamente HTML, a linguagem da Web e começou a brincar de criar sites. Aos 13 anos, em 1995, criou um site chamado MyDeskTop.com, voltado para adolescentes como ele. O site se tornou um sucesso instantâneo, recebendo atenção da mídia especializada e genérica. Michael se tornou uma imediata pré-celebridade. Don Tapscott, autor de livros sobre o impacto da Internet na sociedade, quando escreveu “Growing Up Digital”, o livro sobre a geração digital, não só se modelou, em grande parte em Michael, como contratou Michael como seu assessor enquanto escrevia o livro. (No seu livro mais recente, Digital Grownups, Tapscott dedica várias páginas a Michael, traçando sua evolução entre os dois livros).  Quando, aos 15 anos, em 1997, Michael vendeu MyDeskTop.com por uma quantia não revelada, mas que se sabe ser superior a um milhão de dólares, havendo suspeitas de que tenha sido 5 milhões de dólares, virou uma real celebridade. Além disso, o livro de Tapscott o promoveu para a fama, fazendo com que viesse a participar dos mais prestigiosos “talk shows” dos Estados Unidos. Foi eleito, por uma revista que faz esse tipo de escolha, um dos jovens com maior potencial de mudar o mundo no século XXI. Michael criou ainda outro site que, depois de tornar o site famoso, também vendeu. E passou a ser convidado para dar palestras para o Board of Directors da General Motors, da Ford, da Microsoft, etc., sobre a Geração Digital – afinal de contas, todas essas empresas querem entender a nova geração. Quando a Microsoft criou o programa “Partners em Learning”, convidou Michael para ser membro do Conselho Consultivo Internacional. Encontrei-me com ele pela primeira vez em Vancouver, Canadá, durante a primeira reunião do Conselho, em Abril de 2003. A reunião deveria ter sido em Toronto, Canadá, cidade de Michael – mas aquela famosa gripe do início de 2003, que teve em Toronto um dos principais focos na América do Norte, fez com que a reunião fosse adiada e transferida para Vancouver. Desde então tenho me encontrado com ele com freqüência e o considero um grande amigo. Passamos juntos aquela semana em setembro de 2003 em Salzburg, e, na quarta-feira, dia 3 de setembro, dia de folga, fomos juntos fazer uma excursão através dos lugares principais em que foi feito o filme The Sound of Music. Michael hoje dirige, com a Jennifer, sua mulher, um dos maiores projetos de Inclusão Digital do mundo: O “Taking IT Global”. “IT”, naturalmente, é “Information Technology”, mas se lê, no caso, como se fosse “it”… O programa envolve, hoje mais de 120 mil jovens, no mundo inteiro, inclusive no Brasil. O site está traduzido para o português. Vejam http://www.takingitglobal.org (também http://www.tig.org) Mais recentemente Michael, que hoje já é pai, criou também o site http://www.tiged.org, para educadores. Michael teve participação ativa nas reuniões do IT Summit em Genebra e Tunis, e tem sido um participante dos mais requisitados no World Economic Forum, que tem lugar, todo mês de fevereiro, em Davos, Suiça. Lá, alguns anos atrás, encontrou Sharon Stone… É celebridade real. Fim de parágrafo.

A sede da organização The Salzburg Seminars, que hoje se chama The Salzburg Global Seminars, fica na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, mas o local em que são realizados os seminários é aqui em Salzburg, no Leopoldskron, castelo construído, no século XVIII, por um dos príncipes arcebispos que governavam a cidade naquela época. Depois de muitas idas e vindas, Leopoldskron se tornou propriedade, antes da Segunda Guerra, da atriz Sarah Bernhardt e de seu milionário marido, que usavam o castelo para exposições, reuniões de interesse do mundo artístico, etc. Pelo que me consta, eles nunca moraram lá.

Durante a guerra, o castelo serviu de quartel general para os nazistas, durante a ocupação da Áustria. Depois da vitória dos Aliados, a Áustria ficou ocupada pelos Aliados durante dez anos (até 1955), e o castelo foi a sede do comando militar americano. Depois, foi vendido para os três rapazes, que tiveram de submeter o castelo a grandes reformas para que ele voltasse a ter as características originais que ainda exibe hoje. Os salões e os corredores estão forrados de quadros de inestimável valor – deixados por Sarah Bernhardt quando ela fugiu com o marido para os Estados Unidos, por ocasião da invasão (talvez o termo mais correto seja anexação) nazista da Áustria.

Depois da guerra, na década de 50, Sarah Bernhardt vendeu o Leopoldskron (por incríveis 53 mil dólares da época) aos três jovens que haviam, pouco tempo antes, iniciado esse empreendimento. The Salzburg Seminars tinham como objetivo ajudar na reconstrução democrática da Europa – evitando, assim, quem sabe, o surgimento de novos movimentos totalitários semelhantes ao Nazismo, ao Facismo, e, por que não, ao Comunismo (que foi uma ideologia originalmente elaborada por dois alemães).

Outro parêntese. A Europa, que hoje pretende ensinar democracia para o resto do mundo, até mesmo para os Estados Unidos, foi berço, no século XX, dos três maiores movimentos totalitários que o mundo já conheceu: o Comunismo, o Nazismo, e o Facismo. O último desses movimentos a ser varrido do mapa foi o Comunismo, com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Por essa queda, temos uma dívida eterna para com Ronald Reagan. Os garotões que infestam a Comissão Européia deveriam estudar seriamente a história da Europa, para evitar que ela gere outros movimentos totalitários. A crise em que a Europa se encontra no momento foi causada por essa meninada. Fim do parêntese.

Enfim, todos os que fazem um seminário em The Salzburg Seminars acabam se tornando “fellows” da instituição. Assim, estando em Salzburg, não poderia deixar de visitar o Leopoldskron, que, além de tudo, é lindo e está num lugar mais lindo ainda. (O local não teria sido escolhido para a filmagem de “A Noviça Rebelde” se não fosse lindo).

Hoje, depois de passarmos pelo Leopoldskron (só na parte de fora), fomos para a região dos lagos nas montanhas, onde se passaram várias cenas do filme The Sound of Music. Saímos de Salzburg e fomos para o lago Fuschl, ao lado do qual fica cidadezinha de Fuschl, linda, rodeada de montanhas. Às margens do lago há o Castelo de Fuschl, usado como hospedaria para expedições de caça dos príncipes-arcebispos que governavam Salzburg, que era um principado independente, governado pela Igreja Católica, até o século XIX, quando se integrou à Áustria. Hoje se tornou um hotel utilizado pelo Príncipe Charles, pelo ex-governador da California Arnold Schwarzenneger (que é austríaco de nascimento), e até o Manda-Chuva da China…

Os lagos da região são todos lagos de montanha – e as montanhas são incríveis depósitos de sal – razão pela qual a cidade capital da região se chama Salzburg – Cidade do Sal.

Depois de Fuschl passamos do lado da cidadezinha de St. Gilgen e da cidadezinha de St. Wolfgang e fomos para a cidadezinha de Mondsee (Lago da Lua). Disse o guia que o lago tem esse nome porque, no século IX, um dos arcebispos saiu a caçar, levando sua família (arcebispos tinham famílias naquela época…), e se perdeu. Chegando a noite, muito escura, ficou com medo de cair num dos vários precipícios, e orou pedindo a Deus um milagre. Ao terminar de orar, as núvens se abriram e uma lua linda apareceu iluminando o lago, que ficou todo prateado e iluminado, permitindo ao arcebispo que achasse o caminho de casa. Por isso, o lago foi batizado como o nome de Lago da Lua… Lendas são coisas curiosas…

Em Mondsee paramos por cerca de uma hora e quinze. Lá está a igreja em que o Capitão von Trapp e Maria se casaram (no filme). Fantástica a igreja. Havia um coral ensaiando. A  Paloma gravou parte do ensaio e ambos tiramos fotos. Aguardem a postagem dos dois no Facebook.

Depois de ver a igreja fomos a uma Konditorei e almoçamos: sopa para cada um de nós (o album de fotos da Paloma mostra as sopas) e, como sobremesa, Apfelstrudel na calda quente de baunilha…

De lá, voltamos para a cidade pela autoestrada, chegando em Salzburg às 13h30.

Às 14h saiu nossa nova excursão, agora pelos lagos das montanhas, que, naturalmente, cobriu, parcialmente, os mesmos locais já cobertos na excursão anterior…

A região dos lagos tem 76 lagos, espalhados por quatro estados federais, dos quais o estado de Salzburg é apenas um deles. Iríamos visitar apenas quatro lagos, em dois estados (dos quais Salzburg seria naturalmente um deles).

O primeiro lago foi o já mencionado lado Fuschl, ao lado da cidade do mesmo nome. Além do hotel de gente famosa já mencionado, a cidade de Fuschl é mundialmente conhecida como a sede mundial da Red Bull, que fica num complexo fantástico de prédios parcialmente de vidros em parte situados no meio de um lago, ao lado da estrada.

Depois de Fuschl, Wolfgang See. Paramos numa descida da montanha para tirar fotos desse fantástico lago, um dos maiores. Imagens maravilhosas, que vocês poderão ver, nas fotos da Paloma e minhas. Depois fomos para a cidadezinha de St Wolfgang. Esta talvez seja a cidadezinha mais bonita do mundo, com todo respeito a Chesky Krumlov e a outras pretendentes. Sissi, a Imperatriz da Áustria e Rainha da Hungria costumava passar seus verões ali. E Sissi tinha um bom gosto incomparável. A cidade foi fundada por St. Wolfgang, um cristão medieval, oportunamente beatificado e santificado, que fundou ali uma igreja importante na Idade Média.

Ao passear pela cidade, fomos tirar fotos do lago a partir de um muro que fica na frente da igreja, e ali descobrimos algo fantástico. Aqui vai a foto:

IMG_7522

Duvido que alguém tenha ideia da importância, para a Paloma e para mim, desta descoberta. Foi a Paloma quem viu a imagem primeiro, na porta lateral da igreja. Foi me chamar, dizendo que eu não iria acreditar no que ia ver: e, realmente, achei difícil de acreditar.

Desde que passamos a viver juntos, em 6 de Setembro de 2008, a Paloma e eu sonhamos com o nosso casamento civil e religioso, e com a possibilidade de juntar os nossos últimos nomes, respectivamente, Machado, dela, e Chaves, meu.

Em 15 de Maio de 2012, dia do aniversário da Paloma, nos casamos oficialmente, de papel passado (convertendo nossa União Estável em Matrimônio Civil) e passamos a nos chamar, oficialmente:

               Paloma Epprecht e Machado de Campos Chaves

               Eduardo Oscar Epprecht e Machado de Campos Chaves

Várias vezes ensaiamos desenhar um brasão com um machado e uma chave cruzados… E agora, aqui, no dia 8 de Janeiro de 2013, encontramos o brasão pronto, lindo, em cima de uma cruz (que representa a tradição cristã em que ambos fomos criados), descrita como “A Velha Cruz da Torre” (Altes Turmkreuz)…

Vamos usar esse modelo para elaborar nosso brasão familiar… Com a cruz e tudo, sinal da providentia divina specialissima… Quem sabe o nosso cunhado João, marido da Eliane, artista de primeira, nos ajuda a construir a matriz que nos permitirá mandar fabricar o brasão.

Enfim, depois de St Wolfgang, fomos para outra cidadezinha linda, St Gilgen, onde a empresa que realiza a excursão nos pagou um pedaço de bolo e uma bebida quente… Rodamos por umas lojinhas lindas e muito caras!  Vi umas jaquetas lindas, mas na faixa de 300 euros…  Muita coisa para usar apenas no curto Inverno brasileiro.

Dali passamos pelo Trotensee (lago pequeno, mas profundo) e terminamos o dia novamente em Mondsee, onde rodamos um pouco a cidade e eu acabei comprando um adaptador de tomadas para substituir o que eu esqueci no trem que ia de Linz para Budapest…

Vejam as fotos de hoje (mais de 700) nos seguintes lugares:

Paloma: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10200186149794504.2196355.1174473048&type=3

Eduardo – Álbum 1: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151329260177141.492033.708902140&type=3

Eduardo – Álbum 2: http://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151329294882141.492037.708902140&type=3

Antes de voltar para o hotel paramos no shopping Forum 1, novíssimo, ao lado da novíssima (na verdade, inacabada) Estação Ferroviária de Salzburg. Passamos pelo supermercado que existe lá, compramos mais coca, frios, pão… Pegamos um taxi de volta, porque estava chovendo.

Agora estamos no quarto. Cansados, mas satisfeitos com o belo dia. Especialmente com a nossa descoberta providencial de nosso brasão!

Em Salzburg, 8 de Janeiro de 2013

Eduardo Chaves

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